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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O fim

Fazia duas horas que estava ali, sentado, com os olhos pregados na amarela folha de prova. Marcou a última questão e sorriu consigo, motivado, esperançoso. "Enfim terminei", disse a si mesmo.

E não terminara de qualquer forma. Além do alívio, sentiu um radiante orgulho: "terminei  com êxito", pensou. Dominava a Matemática, a Física; era graduado em Química. Na escola, era um dos melhores alunos em Geografia e História. Um de seus hobbies era discutir filosofia com seus amigos. Era brilhante! "Serei aprovado neste processo seletivo facilmente", pensou mais uma vez.

No entanto, havia agora um impasse. Apesar de todas estas qualidades, tinha um enorme problema com redações, conquanto fosse um assíduo leitor. lembrou do tempo do colégio, das aulas de português; lembrou-se de todas as situações em que era obrigado a escrever estes textos, tendo que gastar a maior parte do dia para ter uma idéia e, não bastasse todo este tempo para obtê-la, tinha de ficar mais duas horas para organizar as palavras, os parágrafos... Organizar tudo em perfeita ordem para formar o texto.

E corria o tic-tac do relógio de parede. Começou a suar frio, quando percebeu que o seu tempo estava se esgotando. Restava apenas uma hora. As mãos tremiam. O ar faltava. Já se sentia tão angustiado quanto Luiz da Silva, seu Luizinho, personagem de um Romance que leu recentemente, escrito por Graciliano Ramos. "Me preparei tanto para concorrer a esta vaga de emprego nesta multinacional... Será que tudo irá por água abaixo só por causa de uma dissertação?", indagou.

Enfim uma idéia. Lembrou-se de uma reportagem do Jornal da Globo, que assistiu na noite anterior. Mão e caneta começaram a trabalhar em uma união admirável, como se fossem um. A folha em branco logo foi ganhando a cor azul, da tinta. Letra, palavra, oração, período, parágrafo. Sintaxe perfeita! A gramática sorria dentro daquele texto. Missão cumprida e comprida! Quarenta e cinco linhas. Escolheu como título o nome que representava para ele a parte mais esperada daquele texto:

O fim.


Renato Marques

2 comentários:

  1. Q reportagem era? Fiquei curiosa? Real ou conto? Será que perdi algo? Diferente dele, você donina todas as síbalas.

    Beijos,

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  2. Somente ficção, Naty. Não houve teste, reportagem, personagem e situação fora da narrativa. Estava só esplorando a função metalinguística - risos.


    Beijos!

    =D

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