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domingo, 19 de setembro de 2010

Desfecho













- Você voltará?
- Voltarei.
- Promete?
- Não Prometo. Não é necessário. Apenas voltarei.
- Por que não promete?
- Não me tem confiança? O que é uma promessa? Se me pede uma promessa é porque não me acredita.
- Desculpe-me, querido. É que nunca partiu para tão longe e como ficará distante por mais tempo do que de costume...

Ele a fitava rigorosamente, com um olhar frio, certeiro, mas ao mesmo tempo carregado de uma doce ternura. Enquanto ela, sôfrega, se esforçava em impedir que as lágrimas chovessem em seu rosto. Lá fora, atrás da janela, o dia triste e nublado observava os dois com olhos melancólicos. O tempo seguia a sua rota apenas dentro daquela casa, como se estivesse lutando para separá-los. Lá fora não. Tudo paralisara. As pessoas, a grama, os animais, o riacho, o entardecer.

E a vida.

O homem, seriamente, deixou que seus braços a enlaçassem, mas sem que os olhos desviassem. Ficaram ali, imóveis, desdenhando o relógio, enquanto era possível. Ela sempre melancólica; ele sempre grave, ainda que com o traço de dor na face. Um silêncio súbito pairava ao redor, observando os dois. Tudo era triste.

- Acredito em você. Sempre voltou e voltará. Sempre.
- Sempre.

Sempre.

Ela reclinou a cabeça e deixou que os lábios do rapaz fossem de encontro ao seu. Amavam-se muito, mas agora, com a dor da separação, sofriam à mesma medida que se amavam. O homem acariciou o rosto da mulher com as mãos, beijou-lhe a fronte, e partiu.

Sempre.

Ela deitou-se. Sentiu a solidão tomar conta de si. O vento dramático daquela tarde soprou pela porta para fazer-lhe companhia. Ela tremeu de frio e de tristeza. Um soluço. Não teria mais os afagos que tinha. À medida que os passos do homem avançavam pela estrada, o sol ia se despedindo, como se estivesse ditando o caminho, o destino dele.

 O mundo todo se resumiu em silêncio.


Ouvia-se apenas o som agudo das lágrimas, que pousavam no chão batido, umedecendo a terra vermelha e compondo triste sinfonia.

- Plim, plim, pilm...


Triste onomatopeia.

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